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Colégio João Paulo II, Braga Onde é que eles andam?

Entrevista a antigo aluno · Ensino secundário, 2014 a 2017

Diogo Jerónimo:
o colégio são as pessoas

Estudou no Colégio João Paulo II, seguiu Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico e é hoje Engenheiro Sénior de Inteligência Artificial na Sword Health. Fomos saber por onde anda e o que guarda do colégio.

Diogo Jerónimo
Diogo Jerónimo
Antigo alunoDiogo Jerónimo, Engenheiro Sénior de Inteligência Artificial

Quem és e por onde andas · 01

Quem és e onde andas?

Sou o Diogo Jerónimo. Estudei no João Paulo II no ensino secundário, penso que entre 2014 e 2017; já passou mesmo muito tempo. Estava agora a pensar: já foram quase dez anos desde que estudei aí, por isso é bom fazer esta reflexão.

E quem é que eu sou? Sou uma pessoa ambiciosa, curiosa. Gosto de me desafiar, gosto de ser um bocadinho melhor a cada dia que passa, mas, ao mesmo tempo, gosto de desfrutar do dia a dia, das pequenas coisas, dos pequenos momentos entre família e amigos, das histórias que trocamos entre nós. E também gosto de retribuir. Sinto que vou falar muito sobre o que o colégio me deu e me ensinou, e acho que estou numa fase em que também quero retribuir e ter o meu impacto, tal como o colégio teve em mim e nos meus colegas e amigos e, com certeza, continua a ter.

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Quem és e por onde andas · 02

O que andas a fazer agora?

Contando muito resumidamente o meu percurso: estive no João Paulo II, que me deu a possibilidade de entrar na Universidade de Lisboa, no Instituto Superior Técnico, no curso que pretendia, Engenharia Aeroespacial. Estudei lá durante cinco anos e fiz parte do núcleo de Formula Student.

Assim que terminei o curso, trabalhei um ano na Bosch, em Braga, numa equipa de um projeto de condução autónoma, onde fazia sobretudo investigação. Depois mudei-me para onde estou atualmente, a Sword Health, uma empresa do Porto que procura expandir e reinventar os cuidados de saúde. Sou Engenheiro Sénior de Inteligência Artificial e a minha responsabilidade é construir sistemas de inteligência artificial que ampliam a capacidade dos nossos profissionais (fisioterapeutas, terapeutas de saúde mental, até pediatras) de chegar a cada vez mais pessoas, democratizar e simplificar o acesso à saúde e reduzir os seus custos através da tecnologia.

A tecnologia já reinventou muitos setores e nós estamos a tentar reinventar a saúde através da inteligência artificial. O meu papel é desenvolver sistemas capazes de levar a saúde a mais pessoas com a mesma qualidade de quando é prestada apenas por pessoas. É um projeto de que me orgulho muito; já trabalho lá há três anos.

Gosto muito de trabalhar lá, não só pelo desafio intelectual, mas principalmente pelo impacto que tem: a Sword já chegou à vida de quase um milhão de pessoas. E isso foi fomentado ao longo do meu percurso académico: a capacidade de me desafiar, de querer entregar mais e melhor e, ao mesmo tempo, de ter impacto na vida das pessoas. Isso é mesmo muito importante para mim.

No dia a dia, trabalho remotamente. Já não vivo em Braga: apesar de a empresa ser no Porto, vivo na Praia da Barra, em Aveiro. Trabalhar a partir de casa permite-me escolher onde vivo, perto da praia, onde posso fazer desporto. Essa liberdade é muito importante para mim.

Faço triatlo, por isso treino praticamente todos os dias; o estímulo e o desenvolvimento físico são essenciais para ter qualidade de vida e saúde. É quase sempre assim que começo o dia.

Na empresa, trabalho sobretudo no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial. O meu dia a dia mudou muito desde dezembro de 2025, com o enorme desenvolvimento dos agentes de inteligência artificial, como o ChatGPT ou o Claude, da Anthropic. Grande parte da programação é hoje feita com o apoio destes agentes, o que me permite focar muito mais na imaginação e no desenho dos sistemas, no seu acompanhamento e monitorização, e muito menos nos detalhes da programação. Também no ensino isto está a ter um grande impacto. Tal como me apoiam a mim, estes agentes apoiam o trabalho dos clínicos que trabalham connosco na Sword.

E é isso. De vez em quando, um mergulho no mar, que é mesmo aqui ao lado, e muito tempo com amigos e família.

Aqui na Barra, sou também cofundador do Barra Swim Club, uma pequena iniciativa com a minha namorada, os meus familiares, cunhados e sogros. A Barra é um sítio onde é muito fácil fazer desporto: correr, nadar, andar de bicicleta. Existem imensos clubes de corrida; nós criámos um clube de natação, em que ajudamos as pessoas a ganhar confiança a nadar em águas abertas, no mar e na ria. Além da felicidade de fazermos exercício em grupo, conseguimos ajudar as pessoas e contribuir um bocadinho.

Quem és e por onde andas · 03

O que é que o colégio te deu?

O colégio deu-me valores e, principalmente, incentivou todas estas características. Hoje, com muito mais maturidade, consigo perceber as pequenas coisas que fui aprendendo e que, na altura, dávamos como garantidas: uma pequena ajuda do professor, o professor que se reinventava a dar as aulas, os professores a incentivarem a nossa criatividade, o querer ir um pouco mais além, o querer superar as expectativas. O colégio ensinou-me a ajudar o próximo, a criar comunidade, a entreajuda, a amizade, a família.

Reconheço isso em mim e acredito que acontece com toda a gente, porque nasce da própria estrutura do colégio e passa pelos professores e pelos auxiliares até chegar aos alunos. Toda esta educação permite-me estar onde estou hoje: tenho uma vida feliz, qualidade de vida, posso escolher onde trabalho e onde vivo e posso desfrutar do exercício.

Reconheço estes incentivos nos pequenos detalhes do dia a dia: explicar de uma forma diferente, o acompanhamento pessoal e personalizado de cada aluno, professores que procuram perceber as dificuldades e as características de cada um e o que devem desenvolver em cada aluno. Há sempre um bocadinho do João Paulo II no meu desenvolvimento pessoal. Tenho muito orgulho nisso e, sobretudo, estou muito agradecido.

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Acima de tudo, o colégio são as pessoas.
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Memórias do colégio · 04

Que momento, dentro ou fora da sala de aula, nunca esqueceste?

Tantas memórias, tantas histórias para contar! Escolho uma muito particular, que guardo com carinho e que é também a história que conto aos amigos novos. Foi logo no 10.º ano, nos primeiros meses. Acho que era o Dia do Pijama e, sem avisar ninguém, eu e um grupo de colegas fomos de robe para o colégio. Mas não era um robe qualquer: tinha as cores do uniforme. Toda a gente que passava por nós, colegas, outros alunos, auxiliares, professores, começava a rir-se. O próprio Professor Fernando achou imensa piada. Foi um dia muito feliz.

Existia a tradição do Carnaval e do Dia das Bruxas, mas não a do pijama; era um dia banal. Nos dois anos seguintes, no 11.º e no 12.º, vários pequenos grupos de alunos organizaram-se e foram de pijama para o colégio nesse dia. Não sei se ainda têm esse costume, mas é uma memória engraçada, com fotografias engraçadas.

Memórias do colégio · 05

A quem queres mandar um abraço nesta newsletter?

Esta é a parte mais importante, porque o colégio é muito mais do que o colégio: o colégio são as pessoas. Começo por dar um abraço a todos os professores e funcionários do colégio. E depois, em particular.

Um beijinho à Professora Joana, de Português, que recordo com muito carinho, por todo o cuidado, pela educação e por todas as aprendizagens que tive com ela. Foi uma professora que me marcou muito.

Ao Professor Pedro, de Biologia, não podia deixar de ser. Na altura dava-se quase como garantido, mas é um professor que se esforça imenso, estava sempre em todas as iniciativas, com muita vontade de ensinar e de criar no João Paulo II uma cultura com impacto em todos os alunos. Reinventava-se em cada aula, era super criativo e estava sempre a surpreender-nos. Um método de ensino excelente. E um professor muito engraçado; tenho muitas saudades dele.

Aos meus professores de Física e Química: a Professora Rosária e o professor que me deu Física no 12.º ano, no seu primeiro ano no João Paulo II (se não me engano, o Professor António). Incentivaram o meu gosto pela Física, que me levou a escolher Engenharia Aeroespacial, e a minha curiosidade de querer saber sempre mais. Nunca tinham problema em responder a qualquer pergunta, e hoje percebo o quão desafiante isso é para um professor. Era muito mais do que aquilo que ensinavam: tinham sempre resposta e sabiam alimentar o meu gosto pela Física.

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Aos meus professores de Matemática, o Professor Pedro Louçano, com o seu lançamento mítico da caneta durante as aulas, que nunca mais vou esquecer, e o Professor Mário. Eram professores que nunca se contentavam com o banal e que incentivavam a nossa criatividade, o querer saber sempre mais, o querer ser sempre um bocadinho melhor, mesmo quando parecia desnecessário. Lembro-me de, uma vez, ter terminado um teste e o Professor Louçano me ter dado mais perguntas, para me desafiar. Na altura achava engraçado, era um desafio e eu gostava de desafios; hoje percebo que era muito mais: era incentivar um aluno a querer saber mais, a não ficar satisfeito, a chegar mais além.

E não agradeço só aos professores: isto é toda uma estrutura do colégio, que cria os incentivos certos, escolhe os melhores professores e consegue transmitir esta cultura a cada professor e a cada auxiliar, até chegar aos alunos. São pequenas coisas que tiveram impacto e contribuíram para me tornar na pessoa que sou hoje.

Ao meu professor de Educação Física, que foi também o meu diretor de turma no 12.º ano, pelo desenvolvimento das capacidades físicas e por nos ensinar a superarmo-nos. Hoje faço triatlo, e essa mentalidade de querer ser saudável e estar em movimento é essencial para quem, como eu, passa o dia a trabalhar a uma secretária.

Ao Professor Mário Azevedo, de Aplicações Informáticas, que também era professor de voleibol e com quem só tive um ano. Foi ele que me ensinou a programar, o que faço literalmente todos os dias. Hoje já não escrevo código à mão, mas tenho de rever, controlar e garantir a qualidade do código que a inteligência artificial desenvolve. Foi muito importante nos meus anos de universidade, porque já tinha uma aprendizagem que outros alunos não tinham. Ensinou-me a pensar e a abordar e resolver problemas.

Ao Professor Fernando Fidalgo, que, de todos, teve talvez o impacto mais indireto: era o diretor, não estava connosco nas aulas, mas tenho a certeza de que tudo isto só é possível pela cultura, pelas ideias e pelos valores que ele incentiva, e pela capacidade de construir esta estrutura que é o colégio.

E à Professora Silvina, mãe do Professor Fernando Fidalgo, que teve muito impacto no meu ensino secundário e até na minha entrada no João Paulo II. Foi como uma avó para mim. Devo-lhe muito da pessoa que sou hoje: muito mais do que as aulas de Português, a educação, os valores e o respeito que aprendi com ela. Um beijinho para ela.

Apenas erramos se não aprendermos com os nossos próprios erros.
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Conselhos e olhar para trás · 06

Se pudesses voltar atrás, o que farias diferente?

Honestamente, não mudaria nada. Todas as pequenas coisas, todas as pequenas experiências me moldaram, me fizeram crescer e me tornaram na pessoa que sou hoje.

Gosto de pensar que nós não erramos; apenas erramos se não aprendermos com os nossos próprios erros. Portanto, todos os erros que cometi, e também todas as partes positivas da minha experiência, me fizeram crescer e aprender. Por isso, não mudava nada. É algo que recordo com muito carinho e que me tornou na pessoa que sou hoje.

Remates curtos · 07

Palavras que definem o Colégio João Paulo II

ConfortoDesafioCrescimentoCuriosidadeFamíliaAmorCarinhoRigorDisciplinaAs pessoas

O colégio, para mim, é conforto, mas, ao mesmo tempo, desafio, crescimento, curiosidade. O colégio é família, é amor, é carinho, mas também é rigor e disciplina. E, acima de tudo, o colégio são as pessoas.

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